quarta-feira, 9 de maio de 2012

"Por todos" ou "por muitos"? Bento XVI se pronuncia

Vale à pena ler o texto do link, comentado pelo jornalista italiano Sandro Magister, acerca de um discurso do Papa aos bispos alemães, que está em espanhol, sobre o uso do "pro multis" ("por muitos") ou do "pro omnibus" ("por todos"), nas palavras da Consagração na Santa Missa. Está também postado logo abaixo. Atenho-me a fazer apenas, por enquanto, um breve comentário meu, levando em consideração somente os pontos que enxerguei como mais relevantes numa leitura primária.

Como sempre, Bento XVI revela-se extremamente sensível e compreensivo ao lidar com assuntos delicados e procura se acercar de todos os parâmetros que se relacionam com o tema. Entretanto, na hora de atacar o problema, costuma ser cirúrgico e profundo. E, afinal de contas, o termo "pro multis" é dialeticamente correto, mas "pro omnibus" não é ontologicamente incorreto. Lá pelas tantas do discurso supracitado em espanhol, porém, o Santo Padre afirma primeiramente: "o temor reverencial da Igreja ante a Palavra de Deus e a fidelidade de Jesus ante a Escritura" - uma dupla fidelidade "é o motivo concreto da formulação "pro multis". Depois, leva o catéter mais a fundo: "Antes de tudo, para nós, que podemos sentar-nos a sua mesa, deve significar surpresa, alegria e gratidão por havermos sido chamados, por poder estar com Ele e podê-lo conhecer. (...) Em segundo lugar, há uma responsabilidade. A forma na qual o Senhor alcança aos outros – 'todos' – a seu modo, no fundo continua sendo seu mistério. (...) É indubitavelmente uma responsabilidade sermos chamados diretamente por Ele a sua mesa para poder ouvir: por vós, por mim, Ele sofreu. Os muitos têm a responsabilidade por todos. A comunidade dos muitos deve ser luz no candelabro, cidade sobre o monte, levedura para todos. Esta é uma vocação que conerne a cada um de manera completamente pessoal. Os muitos, que somos nós, devem ter la responsabilidade do conjunto, conscientes de sua missão."

Só por estas palavras, o discurso de Bento XVI já me soaria suficiente para, não só compreender o uso do "pro multis" ao invés do "pro omnibus" na Santa Missa, mas para ter uma compreensão, diria, uma contemplação mais apurada do Mistério Pascal. É isso que Bento XVI fez aqui: confirmou-me na fé, no sentido de que ofereceu-me a possibilidade de dar mais um passo e de encontrar o significado em amar mais, embora o desafio se torne maior ante tão grande dignidade e responsabilidade. Como não sou padre nem tenho vocação para isso, não posso fazer nada a não ser contemplar a beleza do Mistério, esforçar-me para aplicá-lo em minha vida a partir da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, especialmente em minha família e em outros ambientes que frequento, e, ao menos, apontar aos sacerdotes que receberam o seu múnus a buscarem transmitir o que a Igreja pede de maneira correta, correspondente a esse ideal da vida em Cristo. Mas vamos ao terceiro ponto em que Bento XVI penetra:

"Por último, pode-se observar um terceiro aspecto. Na sociedade atual temos a sensação de não ser em absoluto "muitos", mas muito poucos, uma pequena massa que continua diminuindo. Pelo contrário, não: somos "muitos": "Depois disto, vi uma enorme multidão, impossível de contar, formada por gente de todas as nações, famílias, povos e línguas" (Ap 7, 9). Somos muitos e representamos a todos. Portanto, as palavras "muitos" e "todos" vão juntas e fazem referência uma à outra na responsabilidade e na promessa."

"Mas Bento XVI aqui não estaria sendo ingênuo?" - poderia perguntar meu interlocutor. De forma alguma: ele sabe das estatísticas. Aqui, ele referencia a Palavra de Deus, o Livro do Apocalipse, a Revelação. Só Deus sabe quantos são aqueles que foram salvos pelo Sangue precioso de seu Filho Amado, e revela-os como uma multidão no Apocalipse. O desejo de Deus é o de que todos sejam salvos, porém Ele sabe quantas possibilidades o homem carrega de responder ao dom da liberdade de maneira responsável. E diz o Filho: "esforçai-vos para entrar pela porta estreita, porque estreita é a porta que leva à vida, mas larga é aquela que conduz à perdição". Bento XVI aqui se põe como um de nós, um homem de fé, obediente à verdade, "cooperador da Verdade", como diz o seu lema, que se põe sob os auspícios do próprio Deus para afirmar, na fé católica, aquilo que a Igreja não pode renunciar.

Um comentário:

Orvalho do Céu disse...

Olá, Emerson
Passo, com calma, bem antes da data, para desejar-lhe, com carinho fraterno, que vc tenha Boas Festas neste fim de ano!!!
"A felicidade é com a gota de orvalho numa pétala de flor, brilha tranquila, depois que leve oscila e cai como a lágrima de amor".
Que vc seja muito abençoado e feliz!!!
Abraços fraternos de Boas festas