terça-feira, 21 de junho de 2011

Sobre a verdade do dogma - I

Há, aqui na Terra Brasilis, alguém que diga o seguinte:

“Dogmatismo vem da palavra grega dogma, que significa: uma opinião estabelecida por decreto e ensinada como uma doutrina, sem contestação. Por ser uma opinião decretada ou uma doutrina inquestionada, um dogma é tomado como uma verdade que não pode ser contestada nem criticada, como acontece, por exemplo, na nossa vida cotidiana, quando, diante de uma pergunta ou de uma dúvida que apresentamos, nos respondem: ‘É assim porque é assim e porque tem que ser assim”. O dogmatismo é uma atitude autoritária e submissa. Autoritária, porque não admite dúvida, contestação e crítica. Submissa, porque se curva às opiniões estabelecidas.’”

Profundo, não? Pois é... Assim é que os sociopatas de plantão conseguem estabelecer suas agendas e o estão fazendo de modo agressivo sobre a sociedade brasileira, matriciada no cristianismo, ainda, hoje, que nas formas católica e protestante, predominantemente. Não posso esquecer dos irmãos ortodoxos orientais, a quem também é dedicado este post, mas sua radicação no Brasil vem de uma etapa posterior da História.

Mas a autora das palavras em "Arial", acima, no 2º parágrafo é, nada mais, nada menos do que Marilena Chauí. Para se ter uma idéia, a professora da USP, nas últimas eleições, teve um papel, digamos, coerente com o supradito. Se quiser confirmar, leia aqui.

Nessas horas, entendemos o que a dita senhora quer dizer com aquilo. É necessário (...) desfazer essa lógica autoritária e submissa, para estabelecer (...) uma outra lógica autoritária e submissa. No universo da autora, provavelmente a lógica marxista, como era de se esperar; o marxismo sempre age assim. Intimidando a autoridade legítima para legitimar a sua autoridade, (...) e a de sua cultura conseqüente (pode deixar o trema).

Num universo mais abrangente, usando um conceito marxista, quando não se o abraça ou se o conhece, apenas se abrem portas para o relativismo, tão comentado e criticado pelo Papa Bento XVI. Para isso, basta ver três posts abaixo e outros textos dele. Pois bem, a conseqüência é o desastre social que vemos no nosso país e mundo afora.

A definição da ilustre professora é rasa e simplória. A própria palavra dogma tem um desenvolvimento histórico e uma raiz importantíssima. Para isso, recorro a Karen Armstrong, em seu livro "Uma História de Deus", publicado aqui no Brasil pela Companhia das Letras em 1994 e reimpresso algumas vezes até a década passada. O livro não é uma unanimidade, até porque ela tenta lançar um olhar sobre possíveis paralelos e pontos de convergência e divergência entre as três religiões monoteístas. Ao falar do desenvolvimento do dogma cristão, há um parágrafo extremamente radicado no seu habitat natural: a contemplação de realidades que não passam. Ei-lo, pois:

"Três destacados teólogos da Capadócia, na Turquia oriental, acabaram apresentando uma solução que satisfez a Igreja ortodoxa oriental. Eram Basílio, bispo de Cesaréia (c. 329-379), seu irmão caçula Gregório, bispo de Nissa (335-395), e seu amigo Gregório de Nazianzo (329-391). Os capadócios, como são chamados, eram homens profundamente espirituais. Apreciavam muito da especulação e da filosofia, mas estavam convencidos de que só a experiência religiosa podia oferecer a chave para o problema de Deus. Formados em filosofia grega, todos  tinham consciência de uma diferença crucial entre o conteúdo factual da verdade e seus aspectos mais fugidios. Os primeiros racionalistas gregos haviam chamado a atenção para isso: Platão contrastara a filosofia (expressa em termos de razão e portanto capaz de prova) com o ensinamento igualmente importante oferecido pela mitologia, que escapava à demonstração científica. Vimos que Aristóteles fizera uma distinção semelhante quando observara que as pessoas iam às religiões de mistério não para aprender (mathein) alguma coisa, mas para experimentar (pathein) alguma coisa. Basílio expressou a mesma intuição num sentido cristão quando distinguiu entre dogma e kerygma. Os dois tipos de ensinamento cristão eram essenciais para a religião. Kerygma era o ensinamento público da Igreja, baseado nas Escrituras. Dogma, porém, representava o sentido mais profundo da verdade bíblica, que só podia ser apreendido pela experiência religiosa e expresso de forma simbólica".

Dada a importância do tema, voltaremos outrora a ele. Fique claro, não obstante, o seguinte: a autoridade do dogma surge de sua profunda radicação no Mistério; expressa-se de formas apreensíveis pelos nossos sentidos, mas aponta e estende suas copas para além do tangível e do sensível.

Ainda contaremos com São Basílio Magno e São Gregório de Nissa para aprofundar no tema.

Um comentário:

orvalho do ceu disse...

Caríssimos amigos
(no plural pois é extensivo aos seus leitores)

É com grande alegria interior que estou comemorando os 500 seguidores em meu Blog:

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A Vitoria é nossa!!!
Pegue os seus mimos por lá... Vc os merece...

Excelente feriado com as bênçãos do Alto...
Com gratidão, carinho fraterno e amizade
SE DEUS É POR NÓS... QUEM SERÁ CONTRA NÓS???
Orvalho do Céu
P.S. Excelente post sobre os Dogmas!!! Tudo é Mistério da fé... Abraços fraternos